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Modulação Sensorial

11 de junho de 2020

Existem alguns termos dentro da Teoria de Integração Sensorial de Ayres que são técnicos e específicos. Entretanto, quando pensamos nas nossas crianças com problemas no processamento das sensações, precisamos conhecer deste assunto para estarmos atentos às suas reações frente às demandas sensoriais e potencializar sua interação com o Outro e com ambiente.

Por isso, o objetivo deste texto é explicar brevemente aos pais e familiares, o que é “Modulação Sensorial”.

Vamos lembrar que a integração das sensações é de extrema importância para que os bebês e as crianças possam aprender sobre o mundo, brincar e socializar com qualidade. Nós conhecemos o mundo através dos nossos sentidos: paladar, olfato, audição, visão, tato, propriocepção e vestibular (movimento). Além desses 7 sentidos mais conhecidos, ainda temos as sensações Interoceptivas, que é o sistema que nos oferece informações do que está acontecendo no nosso corpo e os conecta com as emoções (fome, sede, controle esfincteriano, cansaço, stress, irritação, etc). Aqui no site vamos publicar pouco a pouco, textos que falam um pouquinho sobre os 7 sentidos e os mecanismos Interoceptivos e, principalmente, como desenvolvemos e aprendemos com eles.

Terapia Ocupacional Infantil

Colocar todas as informações que “chegam” ao nosso cérebro para trabalhar juntas, integrá-las, combiná-las e discriminar, nos permite participar de atividades, mover-se pelo mundo e interagir com sucesso. Hoje vamos falar um pouquinho sobre o início desse processo de Integração Sensorial que se dá pela função da Modulação Sensorial.

Modulação Sensorial é a habilidade do Sistema Nervoso Central de ajustar a intensidade e a duração de um determinado estímulo ou de múltiplas sensações. Isto é, quando recebemos um estímulo tátil, como por exemplo, um toque, nosso cérebro precisa registrar e percepber essa sensação que chega pelos receptores da pele e enviá-la às partes superiores do Cérebro. A Modulação é uma função crítica, pois funciona como um “filtro”, um “volume”, que regula essa informação deixando “entrar” (excitação celular) ou não… inibindo as sensações que não são relevantes naquele momento, coordenando processos de excitação e inibição celular. Ou seja, nos mantendo atentos aos estímulos que são relevantes e “diminuindo” a intensidade dos estímulos irrelevantes. Essa Modulação nos ajuda a manter o Alerta e a atenção naquilo que precisamos no dia a dia.

Com o processo de desenvolvimento, as crianças amadurecem suas percepções, a função de modulação e discriminação. Seguindo com o exemplo da informação tátil, podemos, em um determinado momento do desenvolvimento, saber a diferença entre um inseto que pousou no nosso braço ou uma pessoa tocando nossas costas para nos chamar sem precisar olhar para esse estímulo. A modulação é uma função individual que nos “diz” o quanto dessa informação é necessária para sentirmos. Será que se pousar uma leve borboleta ativando poucos receptores na pele, todos nós sentimos? Ou apenas as pessoas mais “sensíveis” ao toque? Será que, apenas encostar a nossa mão nas costas de alguém é o suficiente para chamá-la? Ou precisamos repetir o toque? Ou ainda, colocar uma leve pressão para chamar atenção desta pessoa? A resposta é: depende! Depende da pessoa que está sendo tocada…se ela é mais ou menos reativa.

A reação às sensações, ao toque por exemplo, dependerá da Modulação individual de cada um. Será que sentimos as mesmas coisas? Por um lado, sim…um carinho é um carinho, uma picada de mosquito é um estímulo tátil diferente do que o toque de uma pessoa, uma massagem é diferente de uma mudança brusca de temperatura na pele…. A intensidade e a interpretação do sujeito são particulares, dependem da experiência de cada um e do desenvolvimento pessoal dessas funções.

Auto Regulação Infantil

Por isso, quando falamos de Modulação, devemos compreender também o conceito de reatividade sensorial, que é a expressão da Modulação no comportamento de cada um de nós. Existem pessoas que são HIPER-reativas, isto é, ao mínimo de input de movimento por exemplo, essa pessoa já registra e sente – prazer ou não. Por outro lado, existem as pessoas HIPO-reativas, ou seja, pessoas que precisam de uma intensidade maior do estímulo para registrar e discriminar esse input. Por exemplo: alguns bebês se acalmam no colo dos pais quando são abraçados e caminhamos lentamente com eles nos braços. Outros bebês, precisam de estímulos mais intensos, se acalmam quando abraçados no colo “bem apertadinhos” no abraço, balançando-os de um lado ao outro num balanceio rítmico. Essas são características/perfil da reatividade sensorial de cada um de nós.

A disfunção de modulação pode ser avaliada quando há um desequilíbrio entre o contexto ambiental e a demanda pessoal do indivíduo. Alguns bebês e crianças apresentam dificuldade em manter o processo de Modulação dos estímulos num “Nível Ótimo” de alerta afetando atenção, controle emocional, regulação do comportamento e interação social.

O Sistema Nervoso Central trabalha a favor da homeostase (equilíbrio das sensações principais do corpo como pressão, temperatura, respiração e outros). Quando há alterações no ambiente como som alto, luz intensa, odores fortes, etc., o corpo vai pouco a pouco se ajustando para retomar sua homeostase modulando essas sensações (excitando algumas e inibindo as informações irrelevantes). Tudo isso depende de um corpo e do seu processamento saudáveis.

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Auto-regulação é a capacidade de monitorar seu próprio comportamento, por isso, os pais e cuidadores são os co-reguladores dos bebês e das crianças sobretudo das que apresentam alterações no processamento sensorial. A auto-regulação é a habilidade para atuar conforme a demanda, iniciar e finalizar atividades, brincadeiras, modular ações verbais e motoras. É um processo contínuo: capacidade de se adaptar nas rotinas diárias, permanecer organizado durante as atividades, consegue dividir atenção entre duas ou mais tarefas, capacidade de manter homeostase sob demandas ambientais variadas.

É de extrema importância aprender a observar seu bebê e sua criança, olhar suas reações e como se comporta frente aos estímulos do ambiente para que se possa, pouco a pouco, na inter-relação, construir laços entre a necessidade sensorial e a demanda/forma como seus cuidadores a oferecem. Existem alguns diagnósticos que podem vir associados às alterações de processamento sensorial, especificamente da Modulação Sensorial: é o caso dos bebês nascidos prematuros, austismo, Sindrome de Down, TDA/TDAH, entre outros.

Como proceder? Observando as reações e particularidades do seu bebê e criança. O que parece um comportamento “desregulado” ou com características de hiper-reatividade?

  • A criança pode ficar facilmente hiper-estimulada durante eventos típicos: por exemplo, ao brincar em atividade motora ficar extremamente excitada, aumentar significativamente nível de atividade motora e verbal e ter dificuldades em se acalmar sozinha.
  • Irritabilidade excessiva, agitação no dia a dia
  • Bebês e/ou crianças que permanecem hiper-alertas ou letargia excessiva/dispersão
  • Dificuldade de consolar durante choro, fome ou situações de desconforto
  • Intolerância às mudanças de rotina e horários do dia a dia
  • Dificuldade de manter interações sociais. Precisam de mais mediação do adulto do que outras crianças.
  • Problemas de alimentação – restritivos ou seletivos
  • Atrasos no brincar e na exploração do ambiente porque não dão conta da exploração sensorial ou com o corpo no ambiente, no espaço e em relação aos objetos que são próprios do universo infantil, por exemplo: não gostam de se sujar ou movimentar o corpo, choram para cortar cabelos ou unhas. Ou ainda, diminuição na percepção da dor.
  • Agitação, pulam e correm muito. Gostam de se jogar no chão, brincar de cair
  • Comportamentos do bebê e da criança que geram restrição no estilo de vida da família: deixam de ir à restaurantes que costumavam ir porque a criança não come; não vão às festas em buffet infantil porque a criança fica irritada ou incomodada pelo barulho intenso e acúmulo de pessoas num ambiente fechado, etc.

Lembrando que esses são alguns exemplos e não necessariamente a criança vai apresentar todos eles. É importante um olhar amplo nas atividades do dia a dia, no brincar e em contextos diferentes, como em casa, na rua e na escola. Um conjunto de sinais que chamem atenção dos pais para a dificuldade do seu filho. Nesse caso, procure um Terapeuta Ocupacional com especialidade em Integração Sensorial de Ayres para uma conversa e avaliação.

Use nossos canais de comunicação no site para tirar qualquer dúvida, comentar ou sugerir. Estamos sempre a disposição.

Um abraço,

Ana Luiza Andreotti
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